PSICOSE E A IDENTIFICAÇÃO ENTRE O EGO E O SI-MESMO







Muitas psicoses ilustram a identificação do ego ao Si-mesmo como centro do universo, ou princípio supremo. Por exemplo, uma delusão comum entre os insanos, que consideram a si mesmos Cristo ou Napoleão, é melhor explicada como uma regressão ao estado infantil original em que há uma identificação entre o ego e o Si-mesmo. As idéias de referência também constituem sintomas de uma identidade ego- Si-mesmo extrema. Nesses casos, o indivíduo imagina que determinados eventos objetivos têm uma relação oculta com ele. Se ele for paranóide, a delusão terá uma cárater de perseguição. Lembro-me, por exemplo, de uma paciente que viu homens consertando os fios de uma linha telefônica do lado de fora da janela. Ela interpretou essa ação como indício de que estavam instalando um dispositivo de escuta telefônica para interceptar suas chamadas, com fim de obter provas contra ela. Outro paciente pensou que o comentarista de televisão estivesse veiculando uma mensagem pessoal para ele. Essas delusões se originam de um estado de identidade entre ego e o Si-mesmo, que pressupõe ser a pessoa o centro do universo, por conseguinte, atribuem uma significação pessoal a eventos externos que são, na realidade, completamente indiferentes à existência do indivíduo.


E.Edinger: Ego e Arquétipo, p.34-35



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