O DIFERENTE OLHAR DO LOUCO E DO FILÓSOFO PARA O INCONSCIENTE






Só um gênio ou um louco pode desligar-se suficientemente dos vínculos da realidade, a ponto de ver o mundo como seu livro de imagens. Será que o doente elaborou ou construiu tal concepção ou esta lhe ocorreu por acaso? Terá sucumbido a essa visão? Esta última alternativa pode ser corroborada por seu estado de desintegração patológica e por sua inflação. Não é mais ele quem pensa e fala, mas algo pensa e fala dentro dele: por isso ouve vozes. (...) Seria um erro total afirmar que a visão do paciente possui apenas um caráter ou valor meramente pessoal, como algo que lhe pertencesse. Se assim fosse, seria um filósofo. Entretanto, filósofo ou gênio é precisamente aquele que consegue transmudar uma visão primitiva e natural numa idéia abstrata, que pertence ao patrimônio geral da consciência. Esta realização e somente ela constitui seu valor pessoal, cujo reconhecimento não o fará sucumbir inevitavelmente à inflação psíquica. A visão do paciente é um valor impessoal surgido naturalmente, contra o qual ele não pôde defender-se e que o engoliu, e "transportou" para fora do mundo. (...) As maçãs de ouro caem da mesma árvore, quer sejam colhidas pelo insano aprendiz de serralheiro ou por Schopenhauer.

C.G.Jung: “O Eu e o Inconsciente”.§229


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