A Estrutura da Psique


A Humanidade

A psique é o eixo do mundo.

(JUNG, C. G., Vol. 8/2)


    Jung não teve a preocupação de definir o que é ou não a psique puramente de forma filosófica, assim como seus outros conceitos empíricos, mas em falar de psique a partir da experiência prática humana, a partir da experiência com os fenômenos psíquicos. Diante de seu trabalho clínico, das pesquisas, da própria vivência interna,  Jung chega a entender a psique de maneira mais ampla. Os fenômenos psíquicos como um todo são de natureza individual, coletivo, racional, irracional, consciente e inconsciente. Ou seja, a psique vai muito mais além do que seja apenas a consciência e os fenômenos racionais físicos como se pensavam, mente=psique.

   A psique, de acordo com a psicologia junguiana, é formada por três “camadas”:

• Consciente;
• Inconsciente pessoal;
• Inconsciente coletivo.

    Na camada do consciente, os conteúdos psíquicos e o ego relacionam-se, vale frisar que o ego é o centro do consciência. Todo e qualquer material psíquico apenas será consciente se passar pelo grifo do ego. E o que não passar, entrará no campo inconsciente. O ego não terá controle desses contéudos, porém será influenciado pelo o que pulsar inconsciente.

   Muitos acreditam fortemente que o ego abrange toda a personalidade. Porém isso não procede. O ego tem grande revelância para o desenvolvimento e funcionamento psíquico, ele também é um dos complexos que possuimos. No entanto, o centro da psique é o Self e ele vai buscar valer o seu lugar mais cedo ou mais tarde. Mas para tal, o Self necessita do ego. Isso é algo nada fácil. Quase sempre o sujeito necessita encontrar com outra psique, esta mais “preparada” a nivel técnico e mais ainda psiquicamente falando, para facilitar essa relação consciente e inconsciente. Esta outra psique é o analista. Por que muitas vezes o sujeito não da conta de seguir sozinho nessa jornada, mesmo que esse caminho pertença apenas a ele, o indivíduo precisa da alma do analista, pois este já percorreu esse caminho. Pelo menos é o que se deseja e espera de um analista. O analista não terá condições de levar o paciente aonde ele próprio não chegou.

   No inconsciente encontram-se os conteúdos que estão fora da esfera da consciência. Tais materiais não são perdidos, mesmo que não estejam conscientes, eles irão influenciar consideralvelmente a vida do indivíduo, chegando a causar perturbações somáticas e psíquicas. Isto é, o inconsciente pulsa e atua de forma muito presente na estutura da psique como um todo.

  Lembrando que, Jung ressaltou que a noção de inconsciente não é sua original, mas das idéia filosóficas encontradas principalmente em C.G, Carus e E. V. Hartmann. Isso indica que a noção de inconsciente também foi concebida antes de Freud.

 
Ponta do iceberg (consciente), ice submerso (inconsciente pessoal) e o oceano ( inconsciente coletivo)


   O inconsciente, segundo a psicologia analítica, apresenta as outras  duas camadas: 

inconsciente pessoal e inconsciente coletivo.

Inconsciente pessoal

Aqui encontra-se a camada mais superficial do inconsciente com fronteiras com o consciente muito tênue. Aí nos deparamos com:


·     as idéias e percepções subliminares de carga energética escassa para alcançar o campo consciente; 

·        recordações e acontecimentos ocorridos no decorrer da vida pessoal e sem memória consciente;

·      lembraças dolorosas;

·        os complexos, material psíquico dotado de forte potencial afetivo, inadequado com a atitude da consciente;

·   conteúdos sombrios, ou seja, qualidades ocultas e inaceitáveis do indivíduo, seu lado obscuro;



Inconsciente coletivo.

   O inconsciente pessoal, como Jung bem ressaltou, repousa sobre uma camada mais profunda, que ele chamou de inconsciente coletivo ou psique objetiva. Aqui nos deparamos com conteúdos mais profundos da psique comuns e pertencentes a todos os seres humanos. Ressaltou Jung, da mesma forma que nosso corpo possui uma estrutura anatômica comum, do mesmo modo a psique apresenta uma base que também é comum a todos.
 

  E não se trata de conteúdos que têm a capacidade de emergirem à consciência, mas sim de tendências latentes para reações similares. Nesta camada mais profunda, encontram-se todos os dados e informes, por assim dizer, da humanidade desde um passado muito remoto, de um tempo quase imensurável.

  Os principais conteúdos do inconsciente pessoal são os chamados complexos e do inconsciente coletivo são os arquétipos. Os arquétipos são de cárater coletivo/ impessoal, e os complexos de cárater individual/ pessoal. O arquétipo é o centro do complexo, ou seja, eles estão extremamente interligados.

Assim mencionou Jung*:



O inconsciente coletivo é uma parte da psique que pode distinguir-se de um inconsciente pessoal pelo fato de que não deve sua existência à experiência pessoal, não sendo portanto uma aquisição pessoal. Enquanto o inconsciente pessoal é constituído essencialmente de conteúdos que já foram conscientes e no entanto desapareceram da consciência por terem sido esquecidos ou reprimidos, os conteúdos do inconsciente coletivo nunca estiveram na consciência e portanto não foram adquiridos individualmente, mas devem sua existência apenas à hereditaríedade. Enquanto o inconsciente pessoal consiste em sua maior parte de complexos, o conteúdo do inconsciente coletivo é constituído essencialmente de arquétipos.


(2002, p.53)


   Diante disto, Jung chega ao aspecto de imensa relevância para seu estudo sobre a alma humana e com isso para sua psicologia. Ele percebeu e compreendeu que existe uma essência, algo central nesta psique objetiva e que possui uma fonte infinita de energia, Jung nomeou esse centro como Self, traduzindo para nós, o Si-mesmo. 

Mas como foi que Jung chegou a esse conhecimento?

   Foi através do encontro de materiais empíricos oriundos da observação clínica direta, principalmente com  psicóticos, tal como através de conteúdos de sua própria viviência interna, assim Jung compreendeu esse fenômeno psíquico, que ele chamou de  inconsciente coletivo. Com  seu olhar clínico e humano para si e para com seus pacientes, além de estudos de diversas áreas,  que Jung criou a base de toda sua psicologia.

Arquétipos

Como já foi aqui mencionado, o inconsciente coletivo tem os denominados arquétipos como seus conteúdos. Esse “conceito” tem sido muito mal compreendido.

   Arquétipos não são imagens e ideias inatas, mas sim são, como Jung* frisou, “formas sem conteúdos  que representam apenas uma possibilidade de percepção e ação.” E acrescentando frisou Nise da Silveira**: “são matrizes arcaicas onde configurações análogas ou semelhantes tomam forma.” E vale dizer que, essas matrizes possuem uma importante concentração de energia psíquica, o que é de extrema importância para vida psíquica do indivíduo.

  Essas formas sem conteúdos, os arquétipos, serão preenchidas pela vivência consciente do indivíduo. Como um expemplo, ao nascer, o bebê entra em contato com a mãe arquetípica e esta forma só será preenchida e amplificada pelas experiências individuais da criança com a mãe “real” no decorrer da vida. Ou seja, como será a relação, como é e se comporta essa mãe e entre outros aspectos relacionados ao tema mãe.


Relação com a mãe real




   O Self, Anima e Animus, a Sombra e a Persona são os “principais arquétipos”. Outros arquétipos: do herói, do sábio, morte, nascimento, renascimento, Deus e demônio, pai, mãe,  sol, lua e entre infinitamente outros.
   
 Finalizando com Nise**:


A noção de arquétipo, postulando a existência de uma base psíquica comum a todos os humanos, permite compreender porque em lugares e épocas distantes aparecem temas idênticos nos contos de fadas, nos mitos, nos dogmas e ritos das religiões, nas artes, na filosofia, nas produções do inconsciente de um modo geral seja nos sonhos de pessoas normais, seja em delírios de loucos.



PARA APROFUNDAR O TEMA.
C.G.JUNG: A Natureza da Psique. Cap.13 ( para iniciar); Cap 7 e 8 ( aprofundar); Vol.8/2

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.
*Jung, Carl Gustav: “Os arquétipos e o Inconsciente Coletivo”, Vol 9/1. 2002.
**Da Silveira, Nise: Jung, Vida e Obra, 1981

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