O ARQUÉTIPO DA GRANDE MÃE


A Grande Mãe


   De acordo com Jung, a relação mãe e filho é uma das mais profundas experiências na psique do ser humano. O arquétipo da grande mãe é de suma importância na relação e no desenvolvimento do indivíduo, visto que, mesmo quando o indivíduo “cresce” ele não estará desvinculado desta relação primordial.

Por Doriane Demuth



A relação mãe-filho é, de qualquer  modo,  a  mais  profunda  e  a  mais  comovente  que  se  conhece;  de  fato,  por  um  certo  tempo,  a  criança é, por assim dizer, parte do corpo da mãe! Mais tarde, faz parte da atmosfera psíquica da mãe por vários  anos,  e,  deste  modo,  tudo  o  que    de  original  na  criança  acha-se  indissoluvelmente  ligado  à  imagem  da  mãe. (...) É  a  experiência absoluta de nossa espécie, uma verdade orgânica tão indiscutível como a relação mútua dos sexos. Assim, aquela mesma intensidade extraordinária da relação que impele instintivamente a criança a se agarrar à mãe, está naturalmente presente também no arquétipo, na imagem coletivamente herdada da mãe. Com o passar dos anos, o homem cresce e se desliga naturalmente da mãe, contanto que não se ache mais num estado de primitividade quase semelhante à do animal, e já tenha alcançado um certo estado de consciência  e  de  cultura;  mas  não  se  desliga,  por  forma  igualmente  natural,  do  arquétipo. (...) Mas,  se  existe  uma  consciência  relativamente  eficiente,  supervaloriza-se  o  conteúdo  consciente,  sempre  em  detrimento do inconsciente; daí surge a ilusão de que nada acontece quando o indivíduo se separa da mãe, exceto  quanto  ao  fato  de  ele  deixar  de  ser  o  filho  dessa  mãe  individual.  A  consciência    reconhece  conteúdos  adquiridos  individualmente;  por  isto,    reconhece  a  mãe  individual  e  ignora  que  ela  é,  ao  mesmo  tempo,  a  portadora  e  a  representante  do  arquétipo,  o  qual  é,  por  assim  dizer,  a  mãe  'eterna'.


C.G.Jung: “A Natureza da Psique”.§723




   

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