A Sombra e a Psicologia Junguiana




Todo homem tem uma sombra e, quanto menos ela se incorporar à sua vida  consciente,  mais  escura  e  densa  ela  será.  De  todo  modo,  ela forma uma trava inconsciente que frustra nossas melhores intenções.
C.G. Jung







    A sombra é um dos arquétipos da psique e um conceito essencial na Psicologia Analítica. Cada ser humano tem o seu lado oculto e sombrio.  Este lado sombrio está ligado a tudo aquilo que a consciência interpreta como inadequado como fantasias, sentimentos e comportamentos proibidos. Ou seja, o que o ego sente como algo indesejável.


    O desenvolvimento da sombra surge durante a infância como o fruto da repressão, inicialmente os pais vão reforçar o considerado bom e reprimir o que for considerado mal. Posteriormente, essa repressão vai ganhando força e se extende ao meio social, como por exemplo a escola que também vai atuar como um agente repressor. 

A sombra pessoal desenvolve-se naturalmente em todas as crianças.
( Zweig & Abrams ).


    No processo de formação do ego, características inadequedas e recusadas por ele vão compor a sombra e, por outro lado, as características desejáveis, isto é, como quero ser visto, vão formar a persona. Outro arquétipo da psique humana.


    Porém vale mencionar que, a sombra não é formada apenas por aspectos negativos. O ego pode recusar qualidades que ele vê como não pertencentes ao indivíduo. Qualidades como criativo, sensível, empático, por exemplo.


Todos  os  sentimentos  e  capacidades  que  são  rejeitados  pelo  ego  e exilados na sombra contribuem para o poder oculto do lado escuro da natureza  humana.  No  entanto,  nem  todos  eles  são  aquilo  que  se considera  traços  negativos.

( Zweig & Abrams ).


    E ainda como ressalta a grande colaboradora de Jung Marie-Louise von Franz:

Geralmente, quando investigamos a sombra,  descobrimos  que  consiste  em  parte  de elementos    pessoais    e    em    parte    de    elementos    coletivos.







    A sombra também possui  sua face coletiva. A maldade humana se faz presente. Ela se expressa como um verdadeiro demônio que devasta e destrói a humanidade. Esse arquétipo tão ignorado e obscuro, quando não  reconhecido, confrotado e integrado, muitas vezes só isto vivenciado atráves da análise, causa danos individuais e coletivo avassaladores. Assim,  afirmou Jung em sua entrevista para o Face to Face em 1959 que nós precisamos ter um maior entendimento da natureza humana, pois o único perigo real existente é o próprio homem.


Hoje em dia, defrontamo-nos com o lado escuro da natureza humana toda  vez  que  abrimos  um  jornal  ou  ouvimos  o  noticiário.  Os  efeitos mais  repulsivos  da  sombra  tornam-se  visíveis  na esmagadora mensagem  diária  dos  meios  de  comunicação,  transmitida  em  massa para toda a nossa moderna aldeia global eletrônica. O mundo tornou-se um palco para a sombra coletiva.

( Zweig & Abrams ).


    Durante o processo de tornar-se Si-mesmo, o Processo de Individuação, a relação com a sombra é fundamental para a compreensão do “quem sou eu afinal?” Para isso se faz necessário um relacionamento menos conflitante entre as forças profundas do inconsciente e a consciência.


    O único antídoto para esse envenenamento coletivo é a conscientização individual. O trabalho árduo na busca do Si-mesmo, a busca por mudar a nós mesmos individualmente. O mal irá sempre nos acompanhar, porém o adoecer em massa não deve, ou não deveria, ser simplesmente ignorado.


Tudo  o  que  tem  substância  lança  uma  sombra.  O  ego  está  para  a sombra  como  a  luz  está  para  as  trevas.  Essa  é  a  qualidade  que  nos torna humanos. Por mais que o queiramos negar, somos imperfeitos. E talvez seja naquilo que não aceitamos em nós mesmos — a nossa agressividade  e  vergonha,  a  nossa  culpa  e  a  nossa  dor    que descobrimos a nossa humanidade.
 ( Zweig & Abrams ).



Referência Bibliográfica:
Connie Zweig e Jeremiah Abrams (Orgs.): “Ao Encontro com a Sombra: O potencial oculto do lado escuro da natureza humana.”
Marie-Louise von Franz: “A Sombra e o Mal nos Contos de Fada.”
Carl Gustav Jung: “Memórias, Sonhos, Reflexões.”


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