Processo de Individuação 2






    Na nossa sociedade ocidental busca- se compulsivamente o que ela chama de sucesso e felicidade plena. Diante disto, essa mesma sociedade estabelece padrões gerais do que é ser feliz. O que estiver fora desta concepção, será fortemente negado. Viver em constante estado de graça é a meta final.



   São pessoas presas em  trafegar nas ruas, nas redes sociais, ou melhor nas suas próprias vidas numa eterna felicidade inabalável. Presas em personas dotadas de todas qualidades sublimes possíveis. Assim, vamos explodindo em crises de ansiedade, pânico, depressão, doenças psicossomáticas e explodindo arterias. E claro, sombras são projetas por ai, é óbvio que a culpa é sempre do outro. Diante deste contexto, está difícil não adoecer!


    Com essa reflexão, percebo o quanto atual é o pensamento junguiano. Para Jung, o homem só será capaz de sentir a “felicidade”, quando ele viver a sua interioridade e com isso, ele possa também viver em coletivo.


   Outro aspecto relevante: as polaridades vivem e pulsam dentro de cada um de nós: dor, prazer, amor, ódio, fome, saciedade, feliz e infeliz. Quando o homem entende isso, ele se aproxima da sua interioridade, o processo de tornar-se único. E para a  Psicologia Analítica, o sofrimento psíquico surge para alertar que o indivíduo não está vivendo segundo seu Self, o seu Si-mesmo, algo necessita ser ressignificado. E o caminho do Self é o caminho do “equilíbrio” e ele chama. E esse caminho se dá pelo o que Jung chamou de Processo de Individuação. 



“Nosso  conhecimento  atual do inconsciente revela que é um fenômeno natural e, tal como a própria Natureza, pelo menos neutro. Nele encontramos todos os  aspectos  da natureza humana— a luz e a sombra, o belo e o feio, o bom e o mau, a profundidade e a sandice.”

( C.G.Jung: “O Homem e seus Símblos”, p.102-103)



   Porém este processo da busca do Si-mesmo não aponta para um sujeito livre de imperfeições e de conflitos, é fundamental a participação do ego, de um ego com uma estrutura capaz de reconhecer o Self, a totalidade psíquica e o centro da psique.  É uma trajetória nada fácil e muito intensa, porém essencial para o desenvolvimento da personalidade.
  





   Tal desenvolvimento demanda uma comunicação constante entre o Self e o ego, o centro da consciência. Com isso, se faz necessário um diálogo entre o inconsciente e o consciente. E todo material psíquico para chegar à consciência necessita sempre do ego. 
 

“O  verdadeiro  processo de individuação —isto é, a harmonização do consciente com o nosso próprio centro interior ( o núcleo psíquico ) ou Self — em geral começa  infligindo uma lesão à personalidade, acompanhada do conseqüente sofrimento. Este  choque  inicial  é uma  espécie de ''apelo" ,  apesar de nem sempre ser reconhecido como tal.  Ao contrário, o ego sente-se  tolhido nas  suas  vontades ou desejos e geralmente projeta esta   frustraçã o sobre qualquer  objeto exterior.  Isto  é,  o  ego  passa a acusar Deus, ou  a situação econômica, ou o chefe, ou o cônjuge como responsáveis por esta frustração.
Algumas vezes tudo parece bem externamente, mas no íntimo a pessoa está sofrendo de um tédio mortal que torna tudo vazio e sem sentido.”

( Marei-Louise von Franz em “O Homem e seus Símbolos”, p.166)


   E ainda ressaltando, o processo de individuação é uma trajetória de toda uma vida porque o inconsciente nunca se esgota, portanto, o autoconhecimento para Psicologia Analítica é algo mais complexo, mais intenso e único porque ninguém pode fazer por você. E este seria o objetivo maior de uma análise junguiana. E não para sermos perfeitinhos, bonitinhos e com sorrisos gravados na face, mas para sermos o que somos, seres imperfeitos e que não estamos a mero a caso. O sentido da existência de cada alma humana é o chamado do Arquétipo do Self.







   Entender em termos intelectuais o que Jung quis dizer com a sua psicologia é uma coisa, outra é vivenciar o processo de individuação, o que é mais profundo e intenso.



Referência Bibliográfica:
C.G.Jung. “ O Homem e seus Símbolos”


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