O transcendente e a Psicologia Analítica








    A arrogância humana atual de crer que NADA nos transcente, com isso estamos num barco sem rumo, pórem que colocamos a responsabilidade desse remo no outro, no ter compulsivamente ou na obrigação eterna de ser feliz. Cito nós por entender que somos direta ou indiretamente afetados por esse delírio coletivo.




    “Infelizmente, o lado mítico do homem encontra-se hojefreqüentemente frustrado. O homem não sabe maisfabular. E com isso perde muito, pois é importante esalutar falar sobre aquilo que o espírito não pode apreender, tal como uma boa história de fantasmas, ao pé de uma lareira e fumando cachimbo.


   O que significam 'na realidade' os mitos ou as histórias de uma sobrevida, ou qual a realidade que aí sedissimula, certamente não sabemos. Não podemos estabelecer se têm qualquer justificativa além do seu indubitável valor de projeção antropomórfica. É preciso claramente consentir que não existe nenhuma possibilidade de chegar-se a uma certeza nesses assuntos que ultrapassam nossa compreensão.






    (...) O homem mítico reivindica certamente 'algo além', mas o homem na sua responsabilidade científica não pode dar-lhe assentimento. Para a razão, o fato de 'mitologizar' (mythologein) é uma especulação estéril, enquanto que para o coração e a sensibilidade essa atividade é vital e salutar: confere à existência um brilho ao qual não se quereria renunciar. Nenhuma motivação seria suficiente, aliás, para justificar essa renúncia.”
 

C.G.Jung: Memórias, Sonhos e Reflexões. p. 29-30

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