O Terapeuta e a Psicologia Analítica








    Entre o terror e a fascinação, nasce um ser humano ambivalente, esse ser que faz da sua história uma eterna busca pela sua própria cura: o Terapeuta, ou melhor pontuando, esse indivíduo que compreende e resgata “almas”. Por que mergulhar nesse universo conhecido, desconhecido, prazeroso, doloroso, óbvio, oculto, fascinate e tenebroso? Porque ele sabe que tudo isso também descreve o seu mundo interior. 


     E através da sua sensibilidade, autoconhecimento e conhecimento, ele caminha com o outro no “fundo do inferno” e juntos reencontram a luz. Porém, tal conhecimento não foi colhido apenas nos livros, mas também na sua própria vivência, dores sentidas na pele e por está em constante processo de autodesenvolvimento. E ele sabe que todos nós temos as respostas em nós mesmos. Ele entende que somos perfeitos quando percebemos que somos imperfeitos. Ele cura e é curado! Assim, sua sede por compreender a alma humana é infinita, simplesmente porque o terapeuta é ao mesmo tempo sujeito e objeto, ou seja, é somente e totalmente outra alma humana!

O lugar do analista é o lugar da angústia. Nenhuma profissão exige contato tão intenso com o misterioso mundo psíquico quanto a dele. Sua subjetividade sempre será instigada pela subjetividade do outro. Assim, o analista estará de modo afetivo, narcísico e existencial ligado a seus analisandos e, portanto, seu humor pode oscilar conforme os sucessos e insucessos de cada encontro. Desta maneira, o analista vai do céu ao inferno muitas vezes, no mesmo dia ou numa mesma sessão. 

Roberto Rosas Fernandes, analista junguiano. ("O céu e o inferno de ser analista". 
  Revista Junguiana 33/1).

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