Energia Psíquica





 Um investimento psíquico, manifestando-se através da sexualidade, mente, corpo, amor, ódio, sede, fome, agressividade, religiosidade, criatividade, e todos os aspectos vinculados à natureza do homem, Jung chamou de Energia Psíquica. Na sua concepção, libido e Energia Psíquica são sinônimos. Porém, sua forma de entender o conceito de libido não coincide com o pensamento freundiano. Para Freud, essa energia tem como natureza predominante a sexualidade. 


     Diante disso, surge uma das grandes discordância entre Freud e Jung. O que se concretizou com a publicação da obra de Jung Metamorfoses e Símbolos da Libido (1911/12) e posteriormente com Sobre a Energia Psíquica. Em Jung: Vida e Obra, Nise da Silveira apresenta de forma nítida esse conflito de pensamentos:


Jung não aceitou que o contacto com a realidade fosse mantido unicamente
através de “afluxos de libido" ou seja de interesse erótico. Verificava em seus doentes
não só perda do interesse sexual mas de todos os interesses que ligam o homem ao
mundo exterior. Para estar de acordo com Freud seria, portanto, necessário admitir que
toda relação com o mundo era, na essência, uma relação erótica. Isto pareceu a Jung
inflação excessiva do conceito de sexualidade.



 

     A Psique para Jung é um sistema fechado, ou seja, a energia que circula nela, pernamece no sistema. A forma como ela se distruibui é de grande importância para a saúde mental do indivíduo.


Jung concebe o psiquismo (consciente e in-consciente) como um sistema
energético relativamente fechado, possuidor de um potencial que permanece o mesmo
em quantidade através de suas múltiplas manifestações, durante toda a vida de cada
individuo. Isso vale dizer que, se a energia psíquica abandona um de seus investimentos
virá reaparecer sob outra forma. No sistema psíquico a quantidade de energia é
constante, varia apenas sua distribuição...


( Silveira, Nise da )


    O direcionamento dessa energia pode ser progressiva, buscando uma adaptação ao mundo externo, para o objeto. Ou ela pode voltar-se para uma adaptação ao mundo interno, para o sujeito. Neste caso, a canalização da energia age de forma regressiva, ativando conteúdos do inconsciente em prol da adaptação interna.

    Para Jung, quando a energia não está se movimentando de forma progressiva, a energia acumulada irá mobilizar e intensificar o potencial de energia dos complexos. Com essa intensificação, o ego perde energia que ele também necessita. 





     Percebe-se que a energia contínua a circular na psique, ela não saiu do sistema psíquico, ela saiu da consciência, visto que o ego é o centro desta. A energia com isso entra num processo regressivo. Agora o mundo interno, os materiais do inconsciente são ativados. Aqui está o ponto de fundamental revelância: quando esses contéudos do inconscientes não são confrontados e integrados, surgem desconfortos mentais no sujeito, tais como conflitos psicológicos, depressão, desmotivação, medos sem “causa aparente”, dúvidas intensas quanto a própria existência e outros mais. E/ou ativar desconfortos somáticos, ou seja, psicossomáticos. Menciona Nise da Silveira:



 ‘Nenhum valor psíquico pode, desaparecer sem
que seja substituído por outro’. Se um grande interesse por este ou aquele objeto deixa
de encontrar nele oportunidade para aplicar-se, a energia que alimentava o interesse
tomará outros caminhos: surgirá talvez em manifestações somáticas (palpitações,
distúrbios digestivos, erupções cutâneas, etc), virá reativar conteúdos adormecidos no
inconsciente, construíra
enigmáticos sintomas neuróticos. Esses vários fenômenos serão a expressão de
metamorfoses da mesma energia..


    A regressão da libido também é importante para o desenvolvimento da personalidade. Desde que ocorra a integração dos conteúdos do inconsciente. Porque isso faz com que a libido, a Energia Psíquica volte a fluir para o exterior. Surge assim novamente a fase progressiva e o homem contínua na sua jornada ao seu desenvolvimento.


A regressão da libido torna-se, assim, uma
fase útil no processo de desenvolvimento da personalidade. Desde que os conteúdos do
inconsciente sejam confrontados e integrados, dissolvem-se estagnações, removem-se
bloqueios e a libido volta a fluir na direção do exterior. Recomeça nova fase de
progressão.
É através de transmutações da energia psíquica, da formação de símbolos novos
sucedendo
a símbolos caducos, esvaziado da energia que antes os animava, que se processa,
na sua essência, o desenvolvimento da psique do homem.


( Silveira, Nise da)



Referência Bibliográfica: Silveira, Nise da. Jung: Vida e Obra. 7ed. Rj. Ed.Paz e Terra, 1981.





















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