A Função Transcendente







    

    Sim, eles se chocam, mas necessitam um do outro, ou melhor dizendo, eles se compensam. Pois bem, são eles: o consciente e o inconsciente. Fica evidente que sem a polaridade não há crescimento. 

     A consciência quer ficar no seu “maravilhoso”estado de inércia, sem evoluir,  sem crescer e supostamente sem incômodos. Mas ela não esperava por uma doce e amarga surpresa: o inconsciente está lá e ele existe. Ele quer se configurar, ele quer pulsar,  deseja que o Ego desça desse trono fracassado, pois este acredita piamente ser o centro da Psique. E finalmente o inconsciente desafia e convida a consciência a caminhar em direção à expansão, em direção ao Si-mesmo, ao Self, este sim é centro, o caminho que leva o indivíduo à totalidade.  O Ego é o centro da consciência e é apenas mais um complexo, PORÉM de grande importância nesse processo de desenvolvimento.

    E é na resolução desse conflito que a função transcendente aparece, integrando conteúdos inconscientes na consciência. Caminho doloroso, porém ESSENCIAL para os que estão nessa jornada e para todos que hoje vivem suas vidas desprovidas de sentido.

“E mesmo quando se tem suficiente inteligência para compreender o problema, falta coragem e autoconfiança, ou a pessoa é espiritual e moralmente demasiado preguiçosa ou covarde para fazer qualquer esforço. Mas quando há os pressupostos necessários, a função transcendente constitui não apenas um complemento valioso do tratamento psicoterapêutico, como oferece também ao paciente a inestimável vantagem de poder contribuir, por seus próprios meios, com o analista, no processo de cura e, deste modo, não ficar sempre dependendo do analista e de seu saber, de maneira muitas vezes humilhante. Trata-se de uma maneira de se libertar pelo próprio esforço e encontrar a coragem de ser ele próprio.” 

( C.G.JUNG.  A Dinâmica do Inconsciente,  1998)

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