Inconsciente Coletivo





     Com uma breve apresentação, C.G. Jung foi um psiquiatra suíço, psicanalista e fundador da Psicologia Analítica. Ele foi um dos pioneiros da psicanálise e da psicologia da profunda, que leva em conta o inconsciente. Ao contrário de Sigmund Freud, com quem trabalhou por algum tempo, Jung chegou à ideia de que a psique humana não só possui o inconsciente pessoal, como também o que ele chamou de inconsciente coletivo. O estudo de contos de fadas, mitos, e especialmente seus próprios sonhos, mostrou que a psique segue padrões gerais em seu desenvolvimento. 


     Ele também reconheceu o grande potencial da psique e viu no inconsciente uma entidade independente, que é na sua maioria inacessível à consciência, mas influencia decisivamente a ação, o pensamento e o sentimento. Para Jung, os distúrbios mentais são atualmente a melhor tentativa do inconsciente para encontrar uma solução para um conflito. Se alguém tiver acesso a essa dinâmica interna e tentar compreendê-la, as condições para a solução da crise atual são dadas.


     Com seu estudo sobre o desenvolvimento da personalidade, Jung chega ao conceito de Processo de Individuação. Tal processo indica que as partes da sombra de uma personalidade deveriam ser vistas e conscientizadas. Com isso, forças da psique que até então estavam bloqueadas passam a ser ativas e a estimular o crescimento do indivíduo. Este é o objetivo real de todo desenvolvimento humano.


      Jung sempre se considerou um empirista, como cientista da experiência psíquica. No início, ele começou a pesquisar os complexos. Depois de se separar de Freud em 1913, ele realizou anos de autoexperimentação com uma técnica de devaneio, que ele chamou de Imaginação Ativa. No chamado "Livro Vermelho", ele escreveu suas visões e pintou mandalas como representações plásticas da estruturação de sua psique. Mais tarde, ele descobriu padrões e imagens semelhantes em representações alquímicas medievais, bem como em mitologias e obras de arte de todas as culturas. Jung usou esses paralelos para seu trabalho analítico e terapêutico. Ele desenvolveu um trabalho rico e extensivo.


    Apesar de ter sido adotado apenas por algumas escolas psicológicas, o conceito de inconsciente coletivo é uma das teorias pela qual Jung é mais reconhecido. Sendo também citado em outras áreas do conhecimento como filosofia, antropologia e teologia.


    De acordo com Jung, o inconsciente coletivo não surgi a partir de experiências pessoais. Com sua grande bagagem clínica e estudos referentes às diversas culturas e povos, ele definiu o inconsciente como o pessoal e o coletivo.


    O inconsciente pessoal é formado pelas idéias e sentimentos que foram reprimidos ao longo da vida do indivíduo, tendo como seus conteúdos os chamados complexos. Ao contrário do pessoal, o inconsciente coletivo é hereditário, herança esta construída através de vivências dos nossos ancestrais humanos como um todo e também dos animais. Os conteúdos desse inconsciente Jung chamou de arquétipos.







“ O arquétipo é, na realidade, uma tendência instintiva, tão marcada como o impulso das aves para fazer seu ninho ou o das formigas para se organizarem em colônias."
( JUNG, p. 65)


      Os arquétipos são iguais em todos os indivíduos, ou seja, são universais. Eles se manifestam de forma simbólica em fantasias, sonhos, contos de fadas, mitos e religiões . Entre os principais arquétipos estão os conceitos de mãe, pai, vida, morte, sol, lua, e entre outros.




       Os arquétipos são estruturas arcaicas inicialmente sem conteúdos, mas que vão sendo preenchidas pelas imagens que fazemos delas. E tais imagens são formadas à medida que vivemos.




    É interessante perceber que a criança no início traz em si apenas o inconsciente coletivo, ou seja, ela não é uma folha em branco como se pensam. Posteriormente, o inconsciente pessoal dessa criança, como também a sua consciência, irão se desenvolver atravéz de suas experiências individuais.



“…o inconsciente contém, não só componentes de ordem pessoal, mas também impessoal, coletiva, sob a forma de categorias herdadas ou arquétipos. Já propus a hipótese de que o inconsciente, em seus níveis mais profundos, possui conteúdos coletivos em estado relativamente ativo, por isso o designei inconsciente coletivo” (JUNG, p. 127)



    O conceito de inconsciente coletivo é uma das grandes contruibuições da Psicologia Junguiana para a compreensão da psique. Visto que, o inconsciente coletivo exerce uma grande influência nas relações humanas. Partindo da perspectiva da Psicologia Análitica de Jung, sim, com todas suas faces luminosas como sombrias, a humanidade está em cada um de nós.

Outro artigo para aprofundar o tema: A Estrutura da Psique


Referências Bibliográficas:

C. G. JUNG. Estudos sobre Psicologia Analítica. Petrópolis, Editora Vozes: 1978
C. G. JUNG. O Homem e seus Símbolos. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira: 1964


O artigo em vídeo: 










     















     

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